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A Boca
January 19, 2007 10:49 AM PST
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A boca que exclama o verbo
É a mesma que se compadece
Ante a copulação do beijo
E o tato desnorteado
Diante de dois mamilos
E todos seus poros úmidos

A boca é perigosa
Subversiva quando excitada
E seus dentes em constante retaguarda
Ela em sua cadência e natureza
Acesa mesmo rubra
Anseia sempre, sempre anseia

A boca mesmo só
É constante e plural
Tudo dela provém
Porque conspira contra o silencio
E este por si próprio
E rival caído

A boca é indecência
Porque é nua e sem pudor
Decora, devora e deflora
Como num incesto
Todas as zonas da pele
E o corpo festeja e comunga com ela
Quando lateja o orgasmo

A boca quer ser percebida
Em toda sua natureza
Em todo seu álibi e hálito
Do contrário se inflama
Em língua e lábio
E tantas vezes controversa
A boca tem tudo
E não tem razão

Voz: Leandro Lascado

Subjetivo
January 19, 2007 09:14 AM PST
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E esta frase?
Que faço com ela?
Já não diz mais nada
E pouco faz do que dizer
Ficou calada
Por conta d’um gesto
Um adjetivo estúpido
Um porque descalço
Que morreu de coma
Coisa póstuma à resposta
Uma grande confusão
Que não cabe mais no não
Sem paz e sem medida
Tem um quero profundo
Que incita o verbo
Mas ainda é abstração

E o que fazer com esta frase
Mesmo que mais nada diga
E diz muito pouco do que faz
Ainda calada
Por um gesto sem conta
A estupidez de um adjetivo
E um porque de pés no chão
Que jaz no vazio
Que resposta concebida a esta coisa?
Grande NÃO
A medida da paz perdida
Persiste a voraz quimera
O verbo explode
Mas ainda é abstração

ANONIMO
January 19, 2007 08:24 AM PST
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Anônimo não tem nome
Tampouco homônimo
Passado ou futuro
Anônimo não tem
Ou se teve ou terá
Não se sabe bem
Anônimo só tem presente
Anônimo não tem pronome
Só substantivo abstrato
Não tem dia exato
Nem sexo
Anônimo não tem nexo
Existe mas é inexistente
Anônimo Não tem patente.

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