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Cadáver Marginal
March 20, 2007 05:34 PM PDT
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Então
Aquele defunto desgraçado
Exposto e latejado
Entoando um sorriso aflito
Entre os frios lábios
Dizia horrores telepáticos
A quem quisesse ouvir

Ora,
Eu, de sobrenome populesco
Impostor barato e sem cabresto
Com meus dentes ranzinzas
Fitava a nuance de tua testa branca

Em vida
O pobre demônio bestial
recitava a agonia
E dizia-se da vanguarda
Regrado a biritas, baratas
E Ataulfos ao raiar das quatro

Comprava o diabo com cachaça
Se dizia boa praça
De todos os santos e orixás
Que no âmago dos dias próximos
Teu pedigree ia reinar

Mas o tolo presuposto
Que a tantos deu desgosto
Não pulou o carnaval
Não brindou a boemia
Triste fantasia
De cadáver marginal